Impostos sobre Criptomoedas em Portugal 2026: Guia de IRS
Portugal deixou de ser um país de isenção geral para criptoativos, mas também não aplica automaticamente 28% a todas as operações. Para um investidor particular, a alienação de determinados criptoativos detidos durante menos de 365 dias pode ser tributada; ganhos e perdas de ativos detidos pelo menos 365 dias podem ficar excluídos; e uma troca cripto-cripto pode transferir o custo para o ativo recebido sem imposto imediato. A categoria do rendimento, a contraparte, o país e o perfil profissional continuam a ser decisivos.
Resumo: quando é que as criptomoedas pagam IRS?
Prepare Your Crypto Tax Workpapers
Import your transactions, review the results and generate detailed tax workpapers without building the entire calculation manually in spreadsheets.
Start for free →O Código do IRS distingue a alienação onerosa de criptoativos que não constituam valores mobiliários, os rendimentos de capitais e a atividade empresarial ou profissional. Um simples rótulo como trading, staking ou DeFi não resolve a classificação.
| Operação de um residente particular | Tratamento geral a analisar |
|---|---|
| Compra com euros e manutenção | Sem mais-valia apenas pela compra |
| Venda de criptoativo não mobiliário antes de 365 dias | Saldo positivo geralmente sujeito a 28%, com opção de englobamento |
| Venda após pelo menos 365 dias | Ganhos e perdas podem ficar excluídos, cumpridas as condições legais |
| Troca elegível de um criptoativo por outro | Sem tributação imediata; o custo fiscal transita para o ativo recebido |
| Venda para euros, bens ou serviços | Momento potencial de realização tributável |
| Mineração, emissão ou validação como atividade | Categoria B; regras próprias |
| Remuneração de criptoativos paga em cripto | Pode seguir a regra da categoria E com tributação na alienação posterior |
As exceções para jurisdições sem cooperação fiscal e para criptoativos que sejam valores mobiliários podem afastar os resultados simplificados da tabela. NFTs únicos e não fungíveis estão excluídos da definição fiscal específica do artigo 10.º e exigem análise própria.
Mais-valias de criptoativos e taxa de 28%
A alínea k) do n.º 1 do artigo 10.º do CIRS inclui a alienação onerosa de criptoativos que não constituam valores mobiliários. Para operações tributáveis de investidores residentes, as mais-valias positivas não excluídas são, em regra, sujeitas à taxa autónoma de 28%. O contribuinte pode optar pelo englobamento, situação em que o saldo entra no cálculo progressivo do IRS.
A mais-valia não é o valor total recebido. Em termos simplificados, corresponde ao valor de realização menos o valor de aquisição e as despesas necessárias e efetivamente praticadas inerentes à aquisição e alienação. A AT pode determinar o valor quando deteta divergência e presume, para esse efeito, o valor de mercado à data da alienação.
Exemplo: um ativo comprado por 10.000 euros e vendido, antes de 365 dias, por 14.000 euros, com 100 euros de custos elegíveis, gera uma mais-valia indicativa de 3.900 euros. A tributação autónoma indicativa seria 1.092 euros, antes de outras operações, perdas admitidas, englobamento e particularidades pessoais.
Regra dos 365 dias: não é uma isenção universal
Na redação atual do artigo 10.º do CIRS, os ganhos e as perdas de operações abrangidas relativos a criptoativos detidos por período igual ou superior a 365 dias ficam excluídos. O período de detenção anterior a 1 de janeiro de 2023 também conta, segundo a norma transitória.
A exclusão tem limites importantes:
- aplica-se à categoria legal abrangida, não automaticamente a qualquer token ou NFT;
- criptoativos que constituam valores mobiliários podem seguir outras regras;
- a condição relativa à residência fiscal da contraparte ou entidade numa jurisdição cooperante deve ser verificada;
- a perda também fica excluída quando a operação abrangida cumpre os 365 dias;
- a perda da qualidade de residente pode ser equiparada a alienação onerosa;
- uma atividade empresarial não se transforma em investimento privado apenas porque um lote foi mantido 365 dias.
O Anexo G1 prevê a identificação de alienações de criptoativos não mobiliários detidos pelo menos 365 dias. “Não tributado” não significa “não documentado”.
Troca cripto-cripto: diferimento, não desaparecimento do ganho
Quando a contraprestação de uma alienação abrangida assume a forma de criptoativos e não se aplica a exclusão dos 365 dias, o artigo 10.º prevê que não haja tributação nesse momento. O criptoativo recebido herda o valor de aquisição fiscal do criptoativo entregue. A tributação é diferida até uma alienação por dinheiro, bens, serviços ou outra contraprestação não elegível.
Exemplo: BTC com custo fiscal de 8.000 euros é trocado por ETH quando vale 12.000 euros. Numa troca abrangida, não se reconhece imediatamente a diferença de 4.000 euros; o ETH recebe o custo fiscal de 8.000 euros. Se depois for vendido por 13.000 euros, o ganho potencial acumulado é apurado nessa alienação, sujeito ao período de detenção e às restantes condições.
É essencial manter uma cadeia de custos. Se o sistema atribuir ao ETH o valor de mercado de 12.000 euros como novo custo, elimina indevidamente o ganho diferido. Pagamentos, liquidez, wrapping, bridges e recibos DeFi não devem ser classificados como troca elegível apenas pela presença de dois tokens.
FIFO por entidade, custos e período de detenção
O artigo 43.º determina que, tratando-se de criptoativos, os alienados são os adquiridos há mais tempo. Quando os ativos estão depositados em mais de uma instituição, sociedade financeira ou prestador de serviços de criptoativos, a regra é aplicada por referência a cada entidade.
Isso exige um inventário por plataforma ou entidade, e não um único FIFO cego sobre toda a carteira. As transferências entre contas do mesmo titular devem conservar a origem, o custo e a data; caso contrário, um depósito pode ser confundido com uma aquisição nova ou uma venda.
O ficheiro fiscal deve guardar quantidade, data e hora, entidade, carteira, valor em euros, fonte da cotação, custos, contraparte e ligação entre transferências. Taxas pagas em cripto podem também representar uma alienação das unidades utilizadas na taxa.
364 ou 365 dias: uma data altera a declaração
Imagine um criptoativo não mobiliário comprado em 1 de janeiro de 2025 por 5.000 euros, com 10 euros de despesa necessária de aquisição, e vendido por 7.000 euros brutos, com 30 euros de despesa necessária de alienação. Não há atividade profissional, valores mobiliários, NFT único ou exceção territorial neste exemplo; as despesas são efetivamente suportadas e comprovadas.
Se a venda ocorre em 31 de dezembro de 2025, decorrem 364 dias. O ganho é 7.000 − 5.000 − 10 − 30 = 1.960 euros; à taxa autónoma de 28%, sem outros resultados ou opção de englobamento, o valor indicativo é 548,80 euros. A operação é analisada no Quadro 18A do Anexo G para os rendimentos de 2025 declarados em 2026. O encargo não deve voltar a ser deduzido se o preço importado já estiver líquido dele.
Se a venda ocorre em 1 de janeiro de 2026, decorrem 365 dias. Satisfeitas as restantes condições, tanto o ganho como uma eventual perda ficam excluídos pelo regime específico. A operação pertence ao ano de rendimentos 2026 e a declaração seguinte deve usar o formulário aprovado para esse ano; o Quadro 7 do G1 é a referência atual para operações elegíveis excluídas, não uma garantia antecipada de numeração futura.
Registe datas reais, fuso horário, identificador do lote, despesas, país da contraparte e razão da classificação. A renumeração do artigo 10.º em 2026 não transforma 364 dias em um ano completo. Fontes: CIRS, artigo 10.º; instruções do Anexo G; instruções do Anexo G1.
Staking, lending, mineração e atividade profissional
O CIRS inclui na categoria B operações relacionadas com a emissão de criptoativos, incluindo mineração, e a validação de transações através de mecanismos de consenso. No regime simplificado, o artigo 31.º prevê, em termos gerais, coeficiente de 0,15 para operações com criptoativos e coeficiente de 0,95 para rendimentos de mineração. A contabilidade organizada e os factos da atividade podem produzir outro resultado.
O Código também prevê rendimentos de capitais derivados de operações relativas a criptoativos. Quando essas remunerações assumem a forma de criptoativos, o n.º 11 do artigo 5.º determina a tributação como mais-valia no momento da alienação dos ativos recebidos. A aplicação concreta a staking custodial, lending, liquidity pools ou recompensas depende dos direitos e da atividade.
Não é correto afirmar que toda recompensa é sempre tributada a 28% no momento do recebimento. É preciso determinar categoria, momento de disponibilidade, forma de pagamento e se existe atividade habitual, organizada e orientada para lucro.
Compensação e reporte de perdas
O saldo da categoria considera ganhos e perdas admitidos, mas as perdas de operações com contraparte sujeita a regime fiscal claramente mais favorável podem ser desconsideradas. As perdas de criptoativos abrangidos pela exclusão dos 365 dias também não entram num saldo tributável.
A AT informa que as restantes perdas da categoria podem ser reportadas para os cinco anos seguintes quando o contribuinte opta pelo englobamento. Assim, “compensar no mesmo ano” não descreve toda a regra: é necessário verificar a categoria, a opção de englobamento, a contraparte e o prazo de reporte.
Uma queda de preço ainda não realizada não é uma perda fiscal automática. Insolvência de plataforma, perda de chaves, fraude e token sem liquidez exigem prova e enquadramento próprios.
RNH/NHR acabou para novos casos; IFICI não é isenção geral de cripto
O artigo antigo dizia que qualquer novo residente podia obter dez anos de isenção total para cripto. Isso está errado. A Autoridade Tributária confirma que o regime de Residente Não Habitual (RNH) foi revogado a partir de 1 de janeiro de 2024, com regras transitórias para pessoas já inscritas ou em situações especificamente protegidas.
O Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (IFICI) exige uma profissão ou atividade elegível. Nos rendimentos de fonte nacional, a taxa de 20% respeita às categorias A e B elegíveis; as restantes situações e categorias nacionais seguem o regime geral. Para fonte estrangeira, o artigo 81.º, n.º 4, prevê a isenção com englobamento para determinar a taxa dos demais rendimentos, relativamente às categorias A, B, E, F e G de beneficiários elegíveis. A categoria H fica fora desta isenção; rendimentos de entidades em jurisdições da lista de tributação favorecida seguem o tratamento de 35% do n.º 5. O IFICI não isenta automaticamente todas as mais-valias cripto: é necessário confirmar categoria, origem fiscal, entidade pagadora, jurisdição e acesso efetivo ao regime.
A FAQ 5495 da AT distingue expressamente fonte nacional e estrangeira; consulte também o artigo 81.º, n.os 4 e 5, do CIRS. Operar numa exchange estrangeira não demonstra, por si só, que o ganho tem fonte estrangeira.
Um estatuto migratório ou residência em Portugal também não prova, por si só, o tratamento fiscal. Antes de mudar de país, devem ser analisados residência efetiva, convenção, origem dos rendimentos, saída do país anterior e a regra portuguesa equiparada a alienação na perda de residência.
Como declarar criptoativos no IRS português
A declaração Modelo 3 é entregue eletronicamente entre 1 de abril e 30 de junho do ano seguinte. A escolha do anexo depende da classificação:
- Anexo G: mais-valias tributáveis de alienações abrangidas, incluindo operações de detenção inferior a 365 dias.
- Anexo G1: operações excluídas, incluindo alienações elegíveis após pelo menos 365 dias.
- Anexo E: rendimentos de capitais quando aplicável.
- Anexo B ou C: rendimentos empresariais e profissionais, conforme o regime.
- Anexo J: rendimentos ou elementos estrangeiros quando exigido.
- Importar todas as exchanges, carteiras e protocolos.
- Separar transferências próprias de alienações.
- Aplicar FIFO por entidade e preservar a cadeia de custos.
- Identificar valores mobiliários, NFTs e contraparte/jurisdição.
- Calcular o período de 365 dias e o diferimento cripto-cripto.
- Separar categoria G, E e atividade B.
- Reconciliar anexos, somas e documentos originais.
Consulte o guia de staking e DeFi em Portugal, o artigo sobre perdas com criptoativos e a análise de CARF em Portugal. Um relatório CoinTaxReporting deve mostrar operações não calculáveis ou não confirmadas para revisão.
Perguntas frequentes
Portugal aplica sempre 28% aos ganhos de cripto?
Não. A taxa autónoma de 28% aplica-se, em regra, a mais-valias positivas tributáveis, mas há exclusão após 365 dias, diferimento em trocas elegíveis, opção de englobamento e regimes diferentes para atividade e valores mobiliários.
Vender após 365 dias é sempre isento?
Não em todos os casos. A regra abrange determinados criptoativos não mobiliários e depende, entre outros pontos, da natureza do ativo, da contraparte e de não existir atividade empresarial.
BTC por ETH gera imposto imediato?
Numa troca abrangida em que a contraprestação é outro criptoativo, o imposto pode ser diferido e o custo fiscal transita. A operação e a cadeia de custos continuam a ter de ser registadas.
Qual método de custo se aplica?
O CIRS usa os criptoativos adquiridos há mais tempo e aplica a regra por referência a cada instituição ou prestador quando existem várias entidades.
O RNH ainda dá isenção a novos investidores?
O regime foi revogado para novos casos desde 2024, salvo situações transitórias. O IFICI exige atividades elegíveis e não é uma isenção geral de criptoativos.
Onde declaro vendas após 365 dias?
O Anexo G1 contempla alienações elegíveis de criptoativos não mobiliários detidos pelo menos 365 dias. Verifique as instruções do ano em causa.
Posso transportar perdas?
A AT indica reporte por cinco anos para perdas admitidas quando há opção de englobamento. Perdas excluídas, contrapartes de jurisdição favorecida e outras categorias podem não seguir essa regra.
Fontes oficiais
- Autoridade Tributária: conceito fiscal e tributação de criptoativos
- CIRS artigo 10.º: alienação, 365 dias e trocas cripto-cripto
- CIRS artigo 43.º: FIFO, entidades e perdas
- CIRS artigo 31.º: coeficientes da categoria B
- Autoridade Tributária: instruções do Anexo G1
- Autoridade Tributária: prazo da declaração Modelo 3
- Autoridade Tributária: revogação e transição do RNH
- Autoridade Tributária: requisitos e tributação no IFICI
Fontes revistas em 9 de outubro de 2026. A numeração de alguns números do artigo 10.º foi alterada pelo Decreto-Lei n.º 97/2026; este guia usa a redação consolidada disponível no Portal das Finanças.
Related Resources
Generate Your Crypto Tax Report
Import your transactions, review the results and generate a detailed PDF report with a transaction-level audit trail.
Start for free →Disclaimer: This article is for general informational purposes only and does not constitute tax advice. For individual tax advice, consult a licensed tax professional.